domingo, 27 de setembro de 2009

Ego- -ísta/-cêntrico

Amor, eu não consigo deixar de transparecer que fico triste toda vez que a gente se despede, por melhor que tenha sido estar com você. É porque nesses momentos eu nunca estou me despedindo apenas de você. Despeço-me também da melhor parte de mim, aquela que você roubou. Às vezes me empresta, mas sempre toma de volta. Eu sou uma pessoa melhor quando estou com você. Na verdade, eu só sou bom pra você. Eu sou egoísta, frio e insensível para os outros. Toda a minha sensibilidade, generosidade e calor estão no meu coração, que não é mais meu do que seu.

A cada minuto que passo sem você eu sinto sua falta, mas sinto muito mais falta da pessoa que só sou quando estou com você. Eu espero dolorosamente pela próxima oportunidade que terei de sentir o meu coração batendo dentro do peito por mais um instante. Se algum imprevisto tira de mim essa oportunidade, é a maior frustração imaginável, pois um misto de egoísmo e humildade me faz incapaz de pensar que você também possa ficar triste por não estar comigo.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Aqui e agora.

Esta manhã eu acordei com um pesadelo estranho que parecia profético. Demorei alguns segundos para começar a assimilar a realidade e me dar conta de que aquilo tinha sido um sonho, mas tive a sensação de ter dormido muito mais que uma noite. Olhei para o relógio imediatamente e vi: 05:23. “Está tudo certo então, hoje é quinta-feira, 10 de setembro. Em 7 minutos o alarme do despertador vai soar e começará mais um dia igual a ontem e anteontem.”

Quando levantei da cama me senti mais alto, e vendo o meu reflexo no espelho do banheiro eu pensei estar olhando para outra pessoa. Eu me vi mais alto, magro e com mais barba do que me lembrava. Pensei ter dormido por pelo menos dois anos. Olhei ao redor para ver o que mais estava diferente e tive o angustiante alívio de perceber que de ontem para hoje nada neste mundo mudara além de mim mesmo.

domingo, 9 de agosto de 2009

Esperismo

Eu já começo a esperar desde o momento em que acordo, por volta das cinco e vinte. Meu despertador toca às cinco e meia, mas eu sempre acordo alguns minutos antes e permaneço deitado, esperando o despertador tocar enquanto a preguiça é mais forte do que eu. Espero o ônibus passar. Espero o ônibus chegar à universidade. Espero a aula começar. Espero a aula terminar. Espero uma ligação. Quando sou eu que ligo, espero que ela atenda. Espero a hora marcada. Espero anoitecer e depois amanhecer. Espero ela acordar. Caminho esperando que a praia chegue. Só quando estou com ela eu não tenho de esperar nada, pois tudo o que eu sempre quis e precisei está nos meus braços. O resto do tempo eu espero por ela.

domingo, 12 de julho de 2009

A mulher da minha vida

Uma vez um amigo maduro e sábio me disse: “César, você é um homem, não é menino. Homens são para mulheres, não para meninas. As coisas vão mudar quando você parar de se interessar por menininhas e começar a reparar nas mulheres de verdade.” Mas eu tinha dezesseis anos quando ouvi isso e não conseguia me ver como um homem, além de não saber ainda distinguir as meninas das mulheres.

Não faz tanto tempo assim que o amigo me disse aquilo, agora eu estou apenas dois anos mais velho, e nestes dois anos eu tive mais algumas decepções com “menininhas”.

Hoje, aos dezoito, eu posso dizer que encontrei a primeira mulher inteligente o bastante para perceber todas as minhas qualidades, e até algumas que talvez eu nem tenha. Isto pode soar presunçoso quando eu digo ‘inteligente o bastante para perceber todas as minhas qualidades’, e é ironicamente contraditório pensar que, hoje mesmo, eu estava chorando no colo da mamãe por insegurança. Mas eu acho natural que as mulheres deixem os homens inseguros.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Sonho de uma manhã de inverno

Hoje acordei com uma cachorrinha me lambendo e mordendo. Uma cachorrinha branca e peluda que parece uma nuvem, mas que tem dentes e quando resolve morder a minha orelha me dá arrepios. O arrepio de uma mordida na orelha me provocou aquela sensação de ardor nos olhos indicando que uma lágrima estava prestes a rolar, mas dessa vez a sensação foi extremamente prazerosa, pois a lágrima era daquelas de felicidade que sempre vêm junto com um sorriso. Puxei ar pela boca e prendi na garganta, forcei os olhos e a boca para segurar a lágrima e o sorriso, mas não adiantou. A lágrima rolou pela minha bochecha, que ainda tinha um beijo, e o ar escapou num sorriso pela minha boca, que ainda tinha o sabor doce do meu amor.

terça-feira, 7 de julho de 2009

O pedido

O rapaz chega antecipadamente ao ponto de encontro, munido de flores, alianças, chocolates e palavras ensaiadas.

A moça chega bem depois – ela não estava atrasada, o rapaz que se antecipou demais –, munida de um sorriso daqueles que esquentam o coração de quem vê.

Ver aquele sorriso era exatamente do que o rapaz precisava para ter a coragem de fazer o que tanto ensaiara.

Depois do beijo de boas vindas – “Bem vinda de volta a mim”, disse o rapaz – a moça começou a falar o discurso dele – estaria lendo sua mente?

– Espera aí! Isto está errado, eu que ia pedir... Interrompeu-a o rapaz.

Pediu-a que fechasse os olhos, ajoelhou-se à sua frente – sem se importar com o que pensariam as pessoas ao redor – e disse: “Pode abrir.” Mostrou as alianças e fez o pedido – pela terceira vez.

O pedido estava sendo feito pela terceira vez, mas a resposta estava sendo dada pela primeira vez.

A moça disse: “Sim”, com um sorriso ainda maior.

Então o sorriso da moça e o do rapaz viraram um só.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

É hoje!

O meu primeiro pensamento ao acordar foi: “Que frio!” Logo em seguida, depois de me espreguiçar, abri os olhos, enxerguei o teto branco do meu quarto e me dei conta de em que dia eu tinha acabado de acordar. O meu segundo pensamento do dia foi: “Eita porra, é hoje!” Então pulei da cama com um sorriso maior do que eu e fui lavar o rosto para depois ensaiar qualquer coisa no espelho.

O dia tão esperado chegou, vou usar a roupa nova e o perfume francês. Não sei o que pode dar errado, mas fico inseguro mesmo assim. Se eu não ficasse nervoso não teria nem graça.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Chuva: agente intensificador

Algumas pessoas ficam depressivas quando está chovendo, outras gostam da chuva e ficam felizes. O efeito que a chuva tem sobre mim é bem peculiar, ela apenas intensifica qualquer coisa que eu esteja sentindo. Se estiver triste afundo ainda mais, se estiver alegre fico com vontade de cantar a minha felicidade para o mundo inteiro.

Talvez as aulas de Teoria da Literatura I tenham servido para alguma coisa, pelo menos eu aprendi o conceito de Significação. A chuva agora tem uma nova significação, para mim, que só poderia ser compreendida pelo vendedor de picolés que testemunhou aquela cena.

Só de pensar em chuva eu começo a lembrar daquele momento em que estávamos levando chuva, mas eu não sentia frio. Eu só senti frio depois que a chuva, assim como ela, tinha ido embora.

Agora eu sinto sua falta. E a chuva traz uma lembrança que torna esta falta mais intensa.

sábado, 20 de junho de 2009

Kissin' in the rain / Garota malvada

Indicados ao Oscar nas categorias:

Melhor atriz protagonista

Melhor ator protagonista

Figurinos

Fotografia

Trilha-sonora original

Roteiro original

Foi feita uma pequena adaptação na letra da música Singin’ in the rain, a palavra singing foi substituída por kissing, para se adequar melhor à cena. O poste era uma referência ao musical Cantando na chuva. Há referências a outros filmes também, como O Homem Aranha. A trilha-sonora só podia ser escutada pelos protagonistas, que ouviam com fones de ouvido e cantavam baixinho um para o outro. Mas todos podiam assistir a cena, quase censurável, que era encenada bem debaixo dos holofotes, ou em cima de um banco, feito de palco para os atores. Paparazzi os perseguiam.


Garota malvada

As mãos que aqui digitam ainda estão com o perfume dos cabelos dela e no meu rosto ainda há um sorriso.
Espero que o perfume continue nas minhas mãos pelas próximas duas semanas, no mínimo. Eu vou precisar...

O sopro frio do vento úmido só ficou realmente frio e úmido depois que ela foi embora.

“Garota malvada, você me tirou da solidão...
Yeah, yeah, yeah!
Já é a dona do meu coração.”

terça-feira, 16 de junho de 2009

Toca, telefone, toca!

Às vezes eu consigo pegar o ônibus não tão lotado, ainda com algum lugar para sentar, mas tem uma menina que não tem a mesma sorte, o ônibus sempre está lotado quando ela embarca. Ela é muito bonita, faz Educação Física e consequentemente tem um belo corpo. Quando ela entra no ônibus e vê que eu estou sentado, vem logo para perto de mim, talvez porque sabe que eu vou me oferecer para segurar as coisas dela enquanto ela fica de pé perto de mim.

Este aqui não é um texto sobre mais uma menina que eu vi no ônibus. Comecei falando dela só para dizer que hoje – quando me ofereci para carregar as suas coisas –, pela primeira vez, eu tive a mais honesta sensação de estar apenas fazendo uma gentileza, e não uma tentativa de aproximação, como todas as vezes que eu fiz algo parecido.

O belo corpo da menina que faz Educação Física não me tentava e eu não tinha motivo para investir numa aproximação. Eu apenas estava feliz e queria ser gentil. Mesmo não tendo dormido na noite anterior. Um ‘talvez’ me angustiava...
[eu já tinha escrito exatamente até aqui quando o telefone tocou]
[daqui em diante é a parte do texto que foi escrita 4 horas depois]

*toque de celular*
[Esta ligação só durou 22 segundos, porque eu não queria falar com ela ao telefone, queria vê-la, abraçar e não largar mais...]

Corri para vestir uma camisa. Indeciso entre a de algodão cru, com botões, e a vermelha, de malha, resolvi vestir as duas, com o primeiro botão aberto para dar um charme. Corri para o banheiro – escovar os dentes, desodorante, perfume, dar um jeito no cabelo – e terminei de me arrumar. Corri para o lugar onde nos encontraríamos.

Apesar de toda a correria eu me atrasei, porque demorei a achar algum lugar que vendesse Sonho de Valsa. Lá estava ela, onde disse que estaria, como disse que estaria. Ela não me viu, eu poderia ter sentado ao seu lado de uma forma menos desajeitada, mas estava nervoso demais. E o nervosismo passou bem na hora em que eu devia ficar mais nervoso ainda, ela foi que começou a ficar nervosa enquanto dizia aquelas coisas que poderiam me arrasar, mas só me enchiam de esperança.

Eu aprendi a fazer um olhar que deixa ela vermelha.

Nosso tempo acabou, mas eu consegui fazer com que o ônibus dela demorasse, só pra aproveitar mais uns minutinhos [os melhores minutinhos].

Todos na parada de ônibus morriam de inveja.

domingo, 14 de junho de 2009

Sorriso de domingo

Insônia, ansiedade, nervosismo, espera...

Praia, hora marcada, celular, ligação, caminhada...

Encontro, sorriso, abraço, cachinhos, Sonho de Valsa, conversa, passeio, nervosismo, ensaio, improviso, pés na areia, pés na água, calçadão, beijo na pontinha do nariz...

Picolé [?], abacaxi, palito...

Sonho de Valsa [2], Sonho de Valsa no palito...

Zeca, voyeur, Isabela, ginástica...

Beijo na pontinha do nariz [2], beijo, beijo, beijos...

Sorrisos, volta para casa, mãos dadas, dedos entrelaçados...

Despedida, abraço, beijo, beijo na pontinha do nariz [3]...

Ônibus, sorrisos, domingo, sorriso de domingo.

sábado, 13 de junho de 2009

Sexta-feira 12

Uma tarde inteira de sexta-feira na universidade sem absolutamente nada para fazer. Eu poderia ir à biblioteca e cumprir a minha cota de 6 horas diárias de leitura, como um bom estudante de Letras. Mas não estava nem um pouco interessado em passar o dia lendo, afinal, tratava-se de uma sexta-feira 12, que nesse caso seria pior do que qualquer sexta-feira 13, porque era 12 de junho, uma data de ode ao capitalismo e humilhação aos encalhados, o maldito dia dos namorados.

Perambulando sem rumo, à procura de alguma distração, solitário, carente e quase pensando em pular do 14º andar do CFCH... Encontrei, no misterioso ‘meio andar’ do CAC, umas amigas que fazem Artes Cênicas. Elas sempre sorriem e acenam para mim, é bobagem, mas eu adoro. E, naquela tarde desditosa, se dispuseram a me fazer companhia, me convidando para assistir suas ‘aulas’. Que boas companhias elas são!

Eu estava completamente enganado quando falei, em uma postagem recente, que o curso que tem as meninas mais lindas era Arquitetura. As mais lindas são as de Cênicas, que, além de serem lindas, trocam de roupa na minha frente e ainda me deixam fotografar!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

O apelido e o encontro.

O apelido.
Um amigo dos amigos de um amigo meu, 5 minutos depois de me conhecer, inventou um apelido para mim.
“João do bolo”

Não, eu não faço bolos, não vendo bolos, e nem me chamo João. Mas, naqueles 5 minutos em que ele acabara de me conhecer... Eu, supostamente, teria levado um bolo. Mais um bolo. Estou tão acostumado a levar bolos que nem dói mais, os primeiros foram tão traumatizantes que eu já estou sempre preparado, fisicamente, emocionalmente e espiritualmente, para levar um bolo.
Dessa vez foi diferente, não foi um bolo, apenas um atraso.

O encontro.
Eu não consigo me lembrar de nada do que ela disse, mas lembro da sua voz como se ainda estivesse ouvindo. Não é que eu não estivesse prestando atenção ao que ela dizia, mas estava nervoso demais para lembrar. E o que ela falava não era tão importante quanto o simples fato de ela estar falando comigo. Seu sorriso me encorajava e intimidava ao mesmo tempo. Por isso eu sorria junto quando conseguia fazê-la sorrir. Enquanto estivemos juntos eu devo ter abraçado-a umas duas ou três vezes, mas gostaria de ter abraçado uma vez só, e não largar mais. Foi tão bom que chegou a ser uma coisa ruim... Ruim na hora de dizer ‘tchau’, e porque eu sei que não vou dormir nas próximas noites.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

As duas meninas mais lindas do CAC.

Tem uma menina lá no CAC que, caramba... Ela deve ter até medo de mim pelo jeito que eu olho pra ela. Não sei qual o curso que ela faz, mas deve ser Arquitetura, o curso que tem mais meninas bonitas. Acho que eu a vi alguma vez com algum daqueles objetos estranhos que só os estudantes de Arquitetura costumam carregar, talvez fosse aquela régua enorme que parece um machado. Na verdade eu não presto muita atenção nas coisas que ela carrega, quando a vejo só consigo reparar na brancura da sua pele e na perfeição dos seus traços. Seus pais são verdadeiros artistas.

Eu estranhava que às vezes a via com o cabelo comprido, outras vezes curto, depois comprido de novo e a via duas vezes com roupas diferentes no mesmo dia.

Um dia desses, voltando do bar para a universidade porque tinha aula de música...
Talvez eu tivesse bebido demais e estivesse vendo dobrado (pouco provável, eu conseguia ler a partitura perfeitamente e o professor até falou que estava gostando da minha evolução), mas eu tenho certeza que vi duas; usavam roupas diferentes, uma tinha o cabelo comprido, o da outra era mais curto, ambas branquíssimas com seus traços perfeitos e perfeitamente idênticos. Não tenho dúvida, são as duas meninas mais lindas do CAC.
[Será que elas têm mais alguma irmã?]

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Guerras, medalhas e um beijo sonhado.

Naquela manhã tudo parecia conspirar a meu favor. Fazia sol e o dia estava lindo, apesar de ter chovido muito nos dias anteriores. Eu consegui fazer a barba sem me cortar, para mim isso é digno de uma medalha. O ônibus não demorou e ainda tinha um lugar para sentar. O professor finalmente deu a nota do trabalho e foi exatamente a nota que eu esperava.

O cabelo dela estava diferente. Não sei se ela tinha pintado de outra cor ou se pintava antes e a tinta estava sumindo, revelando a cor natural. Se aquela é a cor natural eu diria para ela que não devia pintar, é uma cor muito bonita. Não, provavelmente eu não diria. Se ela soubesse a quantidade de guerras internas que tenho de enfrentar só para tomar coragem e olhar na direção dela... Eu devia ganhar uma medalha por cada vez que tenho a audácia de dizê-la um “oi”. Comentar sobre seus cabelos seria muita insolência. E também, talvez fosse só o reflexo do sol me dando a impressão de uma cor diferente. Eu fantasio demais.

Ela estava se inclinando para o meu lado e não se distanciava quando eu também me inclinava para perto dela. Pelo pouco que eu entendo de linguagem corporal isso poderia ser um indício de que ela se sente confortável perto de mim. Mas eu não consigo acreditar em mim mesmo como os outros acreditam. Então, nessa condição, eu considerava mais lógica a explicação de que ela se inclinava daquela forma porque a cadeira era incômoda, e eu sou tão insignificante que ela não mudaria de posição por minha causa.

Eu acariciava o ar ao seu redor sabendo que não poderia tocá-la. Mas lembrava daquele breve momento em que nossos lábios se tocaram; e que ainda não sei se aconteceu mesmo ou eu imaginei. Essa lembrança não deve passar de mais um dos meus delírios. Eu fantasio demais.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Sobre o blog – Vol. 2

Como prometido, vou responder aqui as perguntas deixadas nos comentários da postagem anterior:

Lusca perguntou: “quero saber qual é a diferença deste blog pros demais blogs...
(eu, como alguns dos seus admiradores novatos, não conhecemos mto bem seus blogs antigos...)
responde aí, ô! =)”

Pra responder isso eu vou fazer uma retrospectiva e falar de cada um... O meu primeiro blog se chamava Poesia & Culinária, nome ridículo, eu sei, mas tinha gente que achava super criativo. Na verdade esse não foi o primeiro, mas vamos fazer de conta que sim, os que eu tive antes não valem [um feto de 15 anos escreve muita besteira]. O blog tinha alguns leitores fixos e eu tentava manter uma regularidade na frequência das postagens. O legal de ter um blog chamado Poesia & Culinária é que quando não se tem nada de interessante para escrever basta postar uma receita de bolo de macaxeira. Poesia que é bom não tinha. Só uma meia dúzia de tentativas de poeminhas que algumas pessoas elogiaram por gentileza, mas eu sei que ficaram ruins. Naquela época os meus textos já tinham essa característica de expor coisas que nenhuma pessoa normal teria coragem de escrever, eu contava todas as minhas frustrações com o pessimismo digno de um emo. Um dia alguém fez um comentário dizendo que os meus textos pareciam “confissões”, pronto, daí saiu o nome do meu próximo blog.

Confessionário: Foi o que durou mais tempo, nele eu aprimorei a escrita e aprendi a fórmula mágica para fazer sucesso no mundo dos blogs. Alguns dos melhores textos que eu escrevi estão lá [tem uns bem ruinzinhos também]. Eu tinha 16 anos, escrevia um pouquinho melhor, mas ainda sobre as mesmas coisas. O blog tinha uma grande quantidade de leitores fixos e algumas postagens chegavam a receber mais de 100 comentários. Eu confesso que só escrevia por causa dos comentários mesmo. Afinal, quem não gostaria de receber centenas de elogios pelas coisas que escreve? Fazia um bem danado para a minha autoestima! Com o tempo perdeu a graça, e, se eu demorasse a fazer uma nova postagem, todo mundo ficava cobrando. A diversão virou obrigação e eu resolvi abandonar a vida de blogueiro.

Não deu. Em menos de dois meses a saudade bateu e eu tive que criar um novo blog. Mas dessa vez eu não queria que ele fizesse sucesso e acontecesse tudo de novo, por isso não o divulgava, nem me importava com a regularidade das postagens. Ao começar esse novo blog eu achei que a minha vida estivesse mudando e que nele eu poderia escrever coisas menos pessimistas, contar histórias com final feliz como as dos filmes da Sessão da Tarde. Aliás, este era o nome do blog: Sessão da Tarde. Infelizmente eu estava enganado, a minha vida continuava a mesma negação, e como eu não queria escrever coisas tristes naquele blog, acabei passando um bom tempo sem postar. Foi o blog que durou menos e teve menos postagens. Quando eu resolvi postar alguma coisa nova, percebi que não se encaixava na temática do Sessão da Tarde e tive, então, que criar mais um blog.

Finalmente chegamos aqui, ao Consciência Espiral. Ainda não vou revelar a origem deste nome, mas um dos objetivos foi justamente dar ao blog um nome aparentemente sem sentido, assim eu poderia escrever sobre qualquer coisa e o blog não teria uma temática preestabelecida. A temática acabou se estabelecendo ao longo das postagens. Aquela nova fase da minha vida, que eu pensei que fosse começar quando criei o Sessão da Tarde, finalmente está começando. Aqui eu estou escrevendo textos muito mais otimistas que os de antes e até tento fazer piada do que costumava ser encarado com pessimismo. Aguardem as próximas postagens!


Fernando perguntou: “Poxa eu posso me considerar como leitor antigo dos seus blogs mano Schuler....As vezes me bate uma curiosidade:
onde estão as suas musas inspiradoras dos posts antigos, as 'meninas mais lindas' que foram suas garotas de ipanema xD... você nunca mais as viu ou esbarrou com elas por ai?”

Esta resposta vai ser mais curta: Algumas eu nunca mais vi, outras eu ainda vejo, raramente ou diariamente. Algumas até leem este blog.


E Marcos perguntou: “Sua mãe já leu seu blog, cara? Ela teria/teve muito orgulho de vc..”

Haha. Sim! Haha. Ela até comentou na última postagem... De vez em quando ela pede pra ver os meus textos novos e fica toda orgulhosa mesmo. Na época do Confessionário ela nem imaginava que eu tinha um blog, mas acabou descobrindo e leu tudo, de todos os meus blogs, desde então ela sempre lê e acha o máximo. :)

sábado, 16 de maio de 2009

Sobre o blog

Pessoas normais, quando criam um blog, fazem logo uma primeira postagem se apresentando e introduzindo os assuntos que serão abordados no blog.

Não é apenas por eu não ser uma pessoa normal, mas também porque eu já tive um monte de blogs. E cada um teve alguma particularidade. Neste aqui eu não precisava me apresentar logo na estreia, porque os primeiros leitores seriam os mesmos que já liam meus antigos blogs e eram até íntimos. Nem precisava fazer nenhum tipo de introdução, eu sempre escrevo sobre as mesmas coisas, não sei como é que vocês ainda leem...

Acontece que agora eu estou começando a dar os primeiros passos rumo à fama [quando eu chegar ao auge, e for entrevistado pelo Jô, vocês vão poder dizer: “ele era mais legal na fase underground”]. E talvez agora seja um bom momento para explicar algumas coisas sobre este blog, para os novos e antigos leitores.

A primeira pergunta que deve vir às vossas cabeças é: “De onde diabos será que ele tirou esse nome?” “Consciência Espiral?”
Bem, essa é uma coisa que será mantida em segredo. Acreditem em mim, a origem deste nome é tão besta que vocês se decepcionariam.

A segunda pergunta deve ser: “Como ele tem coragem de escrever essas coisas?”
E a melhor resposta é: Não sei! Bem, escrever sempre foi mais fácil do que falar ou agir, pelo menos para mim. Às vezes eu escrevo alguma coisa destinada a alguém em especial e posto aqui no blog torcendo para que o acaso faça com que essa pessoa leia, e ao mesmo tempo com medo que ela leia. Não tentem me entender.

Outra pergunta talvez fosse: “Quantas ‘meninas mais lindas’ ele vê por semana?”
Bom, em primeiro lugar, eu preciso esclarecer que o meu padrão de beleza é bem diferente do padrão global. Tem caras que gostam de peito, outros que gostam de bunda, eu gosto de mulher. Quer dizer, eu vejo beleza em tudo o que remete ao gênero feminino, sendo assim, posso me encantar até mesmo pela cor das unhas de uma menina, pelos cachinhos de uma outra, e/ou pelo jeito de andar de uma terceira. Desde que eu entrei na Universidade, estou vendo essas maravilhas para todos os lados, então, acho que toda semana eu vejo uma meia dúzia de “meninas mais lindas”.

Podem deixar mais perguntas nos comentários, talvez eu faça uma continuação desta postagem com todas as respostas.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

FELIZ DIA DO NADA!

... Porque, do nada, o nada pode virar alguma coisa!

(Segunda-feira, dia quatro de maio de dois mil e nove, treze horas. Departamento de Música)

Faltava meia hora para começar a aula de Teoria Musical e eu não tinha nada para fazer. Só me restou sentar na frente da sala e esperar... Esperar. Então chegou aquele cara que eu não sei o nome. A gente sempre se cumprimentava e tal (cordialidade dos baixistas). Aparentemente ele também não tinha nada para fazer até a aula começar, pois só alguém numa profunda crise de tédio puxaria conversa comigo. Não é que eu tenha esquecido o nome dele, ele não disse. Nem perguntou o meu, talvez ele seja como eu e siga a filosofia do: “eu não preciso saber o nome de alguém pra ser amigo”.

Tá, eu inventei isso agora, não sigo essa filosofia. Eu sei os nomes de todos os meus amigos, de alguns até sei o nome completo. Acontece que não costumo chamar meus amigos pelos nomes, nem por apelidos, eu nunca sei como ele(a) preferiria ser chamado(a), então um simples “ei” ou toque no ombro sempre funciona.

Chegaram as duas meninas que foram mencionadas no texto anterior (as que estavam do meu lado e não tinham o livro). E, do nada, vieram conversar com a gente... Poxa, elas são legais. E eu pensava que elas não iam com a minha cara. Nessa conversa entre quatro pessoas, dois meninos e duas meninas, a mais nova com catorze anos e o mais velho com vinte [é, eu sei quantos anos o cara tem, mas não sei o nome dele (os nomes das meninas eu sei, claro)], parecíamos amigos de longa data compartilhando suas lembranças da infância. É claro que eu fui o que menos falou, mas pelo menos estava inserido na conversa.

Hoje foi a prova de Teoria Musical, prova é sempre aquela coisa: faz a prova, entrega e sai. Eu tenho que parar com essa mania de fazer a prova tão rápido. Acabo ficando sem ter o que fazer!

(Mesmo dia, aproximadamente umas catorze horas e quarenta minutos. Frente do CAC)

Pessoas simpáticas gritando: “Hoje é o dia do nada, venha fazer nada aqui com a gente!” “Venha chutar o balde!” “Feliz dia do nada!” “Quer uma banana?!”.

Sabe aquelas pessoas que você vê todos os dias, parecem ser super legais e você é doido pra conhecer? Bem, talvez vocês não saibam, acho que nem todo mundo gosta tanto de interagir e conhecer gente nova quanto eu (é uma coisa que eu gosto muito, mas normalmente não consigo fazer, da mesma forma que nenhum homem deixa de gostar de sexo quando fica impotente). Do nada, fui chamado pra chutar o balde e eu não podia perder essa chance.

“--Escreve num papel o nome de quem você quer chutar, joga no balde, grita o nome e chuta pra longe!” O cara de rosto pintado deu as instruções. Uma ótima maneira de extravasar.

Felizmente eu não cultivo inimigos, mas um nome me veio logo à cabeça: “João”. E o bom é que é um nome comum, ninguém vai saber quem foi o João que eu chutei (podem especular).
Depois de chutar o balde, me juntei, e fiquei lá, fazendo nada.

Meus amigos que estavam na aula de Produção de Texto saíram e, é claro, ficaram surpresos de me ver ali no meio daquele povo doido. O fato é que, apesar da timidez, eu adoro fazer coisas que pessoas normais considerariam “mico”. Alguns minutos depois estávamos na partida de Uno mais confusa e desanimada da história.

(Ainda no dia do nada, dezessete horas. Parada de ônibus)

A velhinha sentada do meu lado falou: “Hoje em dia a gente não consegue mais diferenciar os estudantes dos marginais.” É claro que eu não concordei, mas olhando bem para a velhinha, julgando pela forma como estava vestida e a idade que aparentava, dava para perceber que era de um “contexto sócio-cultural” bastante diferente dos estudantes do CAC, e para ela, talvez fosse mesmo impossível nos distinguir de bandidos e traficantes. Mas se ela comentou isso comigo é porque deve ter percebido que, pelo menos eu, não sou marginal. Então eu só dei aquele clássico sorrisinho amarelo, fingindo concordar.

Ela continuou: “Ah, a minha filha se formou aqui, em Enfermagem, faz uns vinte anos. Não era essa esculhambação, não.” Sorriso Amarelo II – O Retorno. Aí a velhinha veio com: “Mas também, olha quem está na presidência...” Política é um assunto do qual eu me abstenho, mas não deixo de ter uma opiniãozinha sobre uma coisa ou outra. E nisso eu discordei totalmente da velhinha, dessa vez não houve sorriso amarelo.

Do lado da parada havia um orelhão onde estava uma menina linda, com tatuagens de flores bem coloridas. A velhinha apontou discretamente e falou, não tão discretamente: “Olha isso, parece uma doida, cheia dessas coisas horríveis, essas roupas estranhas...” O meu ônibus não poderia ter chegado num momento melhor, deixei a velha lá, resmungando sozinha.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Meninas bonitas me acham idiota

O professor disse:
-- Quem não tiver o livro, por favor, junte-se com alguém que tenha.

A menina do meu lado não tinha o livro, eu tinha. Do outro lado dela estava outra menina que também não tinha, e depois da outra menina estava um cara que tinha o livro. Eu não tive coragem de cutucá-la para dizer que ela podia se juntar comigo, mas fiz tudo o possível para que o meu livro ficasse bem visível para ela...

Bastava ela se virar para o meu lado, que poderia, fácil e discretamente, ler tudo pelo meu livro. Mas é claro que ela preferiu se esticar toda, ficando numa posição nitidamente desconfortável, para enxergar o livro do outro cara.

A essa altura eu não estava mais prestando atenção à aula, só me perguntava: “Todas as meninas que eu acho bonitas não vão com a minha cara?”

Eu tenho que parar de ser assim, faço tudo errado. Olho demais, mas não consigo nem dar um sorrisinho simpático. De fato, elas têm razão de não ir com a minha cara. Eu passo uma impressão completamente errada. Quando olho para uma menina muito bonita chego a me sentir intimidado por tanta beleza e, involuntariamente, acabo fazendo cara de assustado. Eu também não iria simpatizar com uma menina que vivesse me encarando com cara de medo.

Às vezes tento evitar me comportar assim, mas a única maneira é evitando olhar, e desse jeito posso passar a impressão de que não olho porque as acho feias.

Vou confessar aqui uma coisa ridícula que eu costumo fazer:
Eu saio procurando pelo Orkut as meninas “interessantes” que vejo por aí, seja na universidade, em um evento ou até mesmo pela rua... Tenho meus próprios métodos de pesquisa que não vou revelar. Eu não preciso nem saber o nome da menina que estou procurando [um dos objetivos dessa busca é justamente o de descobrir o nome].

Em uma postagem anterior eu já disse que sou muito bom com fisionomias, essa habilidade me ajuda bastante, consigo reconhecer em uma foto qualquer pessoa que eu já tenha visto em algum lugar, e reconhecer pessoalmente qualquer pessoa que, até então, eu só tenha visto por fotos.

Se até agora você ainda não achou isso ridículo, prepare-se:
O meu objetivo em fazer isso, além de fuçar os perfis das meninas para descobrir o máximo possível sobre elas, é deixar que elas me vejam nos “visitantes recentes” e torcer para que, quando forem fuçar o meu perfil, clickem no link do blog e, depois de ler estas bobagens, me achem um cara legal. haha

Então, se você que está lendo isto, por acaso, for uma menina que me viu nos “visitantes recentes”, provavelmente eu acho você muito bonita.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Crise de identidade

Céus, de repente eu olhei pro espelho e não soube quem era o cara refletido.

Eu não tenho uma religião, nem uma cor predileta.
Não sei quem é o meu melhor amigo, nem tenho um ídolo.
Não estou apaixonado por ninguém, ora, logo eu que me apaixonava por todas as meninas que via pela frente...
Não sei se daqui a dez anos eu quero ser professor, diplomata, vendedor de cocos ou astronauta.

Não tenho mais nem sequer um tipo de música preferido.
Nem um filme...
Ou livro.

Ouvi dizer que a crise existencial é normal nessa idade, mas é tão estranho.
Eu, que sempre fui tão convicto a respeito de mim, subitamente deixei de me conhecer.
Alguém, com quem eu conversei sobre isso, disse que a partir de agora eu começarei a descobrir quem realmente sou.
Espero não ter nenhuma surpresa muito chocante.

sábado, 14 de março de 2009

Pura ficção

Engraçado, ninguém está acreditando quando eu digo que sou tímido. Nem levando a sério quando eu digo que sou calado. Mas dizer que sou calado chega a ser contraditório, pois para dizer isso eu falo. Talvez estejam certos aqueles que duvidam da minha timidez.

Fui acusado recentemente de não ser tímido, mas esperto. Não entendi o que queriam dizer... Eu ajo como se fosse tímido por esperteza? Como isso poderia me trazer algum lucro? Por favor, alguém me explica!

Também disseram que eu me faço de calado [fingere], mas na verdade sou falador...

O que acontece é bem simples: Até pouco tempo eu era realmente muito tímido, calado, hesitante, inseguro e todas essas coisas chatas. De uns tempos pra cá, devido a alguns acontecimentos interessantes, muita coisa mudou na minha forma de agir e ver as coisas. Especialmente na minha forma de ver a mim mesmo. Quem já me conhecia antes da “transformação” pôde perceber as mudanças, e quem me conheceu recentemente não acredita que eu era assim. Mas eu ainda me sinto tímido e calado, ainda não sou como quero ser...

Se eu não fosse desse jeito teria entregado a flor à menina do ônibus e puxado uma conversa com a dos assobios.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Passarinho de pernas grossas

Um dos traumas da minha infância foi o de não saber assobiar. Acho que foi aos 12 anos que eu aprendi, mas até hoje ainda não sei assobiar direito, só consigo bem baixinho e desafinado. Treino pra caramba, vivo assobiando por aí as músicas que eu gosto e nada de “aprimorar a técnica”. Tá certo que assobiar não é uma coisa muito útil, só serviria para chamar o cavalo se eu fosse o Zorro, mas não saber assobiar direito me faz sentir um incapaz, sem talento algum, provavelmente até a minha auto-estima melhoraria se eu fosse bom nisso.

Um dia desses, eu estava sentado na frente da coordenação do departamento de música da universidade, esperando o professor que me daria aula de “Teoria 1”. Sentar lá no departamento de música pode ser interessantíssimo para pessoas que ficam facilmente maravilhadas com talentos musicais... A qualquer momento alguém começa a cantar, tocar algum instrumento ou... Assobiar!

Havia uma menina sentada lá, ao lado de uma mulher mais velha com um bebê no carrinho. A menina era daquelas que são difíceis de dizer a idade. O rosto era de criança, mas tinha uma expressão madura, talvez 14 anos? Não, o corpo já era bastante desenvolvido, belas curvas e pernas que prendiam o olhar. Pelas roupas ela também não parecia ser tão criança, e deveria ser aluna da faculdade de música, então imaginei que tivesse uns 18.

Estávamos sentados frente a frente. Eu evitava olhar para as pernas dela, mas não conseguia evitar olhar o seu rosto, que também era lindo. E às vezes ela também me encarava, eu tive até a impressão de ver algum sorriso. Ela parecia ter simpatizado com a minha pessoa.

Antes que eu pudesse pensar em alguma forma de me aproximar ela começou a brincar com o bebê no carrinho. E para entreter o bebê ela assobiava.

UAU! Eu nunca vi ninguém assobiar tão bem. Ela imitava vários passarinhos, fazia uma escala subindo 8 tons e assobiava várias músicas com perfeição. Fiquei imaginando que tipo de exercícios seria preciso fazer para aprimorar a minha técnica àquele nível. A essa altura o que me encantava não era mais a sua beleza, mas sim o seu talento. Eu já nem lembrava que estava esperando o professor, só queria ficar lá assistindo o belíssimo concerto de assobios.

Infelizmente a mulher com o bebê foi embora e a virtuose encerrou o show. A mulher da coordenação me chamou para avisar que o professor tinha faltado. Como eu não tinha coragem de me aproximar da menina, também não tinha mais razão alguma para ficar ali. Voltei para casa (assobiando).

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Tia Leda

Eu devo ter uma fisionomia extremamente marcante. Por mais que eu mude o corte de cabelo, o jeito de vestir e até a cor dos olhos as pessoas sempre me reconhecem, mesmo depois de anos sem me ver. Ultimamente eu tenho esbarrado com muita gente ‘do passado’, mas o reencontro mais chocante aconteceu hoje. Fui reconhecido no shopping pela minha professora do jardim! Assim, deve fazer uns 14 anos desde a última vez que ela me viu [?].

Tia Leda, a primeira professora de que eu consigo lembrar, a que me ensinou o alfabeto, a primeira pessoa que me mostrou a magia das Letras.

Eu lembro de uma atividade que ela sempre passava:
Em uma folha de papel havia o meu nome escrito com letras bem grandes e redondas.
César

Logo abaixo estava o meu nome com as mesmas letras grandes e redondas, em linhas pontilhadas para cobrir a lápis. Na terceira linha havia apenas as duas primeiras letras do meu nome.
Cé___

E a quarta linha estava em branco para que eu escrevesse o meu nome nela.
_____”

Essas duas últimas etapas eram as mais difíceis e eu nunca conseguia fazer. Como era que ela queria que eu desenhasse as letras sem a linha pontilhada para me orientar?!

Talvez, se eu tivesse feito essas atividades, hoje a minha caligrafia não fosse tão feia e ilegível.

Ela deve ter ficado impressionada com o fato de agora eu estar na universidade e fazendo Letras.
“Aquele menino retardado que não escrevia nem o próprio nome?”

Tia Leda também foi a primeira pessoa a testemunhar o meu fracassado romantismo.

O meu primeiro amor platônico foi por uma menininha chamada Maria Eduarda, da minha turma do jardim. Um dia eu pedi à minha avó para escrever uma carta com uma declaração de amor. No dia seguinte levei a carta para a escola e entreguei para ela junto com uma flor [roubada do jardim de vovó]. Assim como eu não sabia escrever, Maria Eduarda não sabia ler, então ela levou a carta à professora e pediu que ela lesse. Depois daquele dia ela não brincou mais comigo.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A menina mais linda que eu já vi dentro de um ônibus.

Eu costumo fazer experiências estranhas para descobrir coisas inúteis. Hoje, por exemplo, eu peguei uma pequena flor de jasmim no jardim daqui de casa e fui para a universidade segurando-a. O objetivo dessa experiência era descobrir se aquela delicada florzinha resistiria a um ônibus lotado.

É engraçado o jeito que as pessoas olham quando você está dentro de um ônibus lotado tentando proteger uma florzinha minúscula. Eu segurando a flor com a mesma mão que me segurava naquela barra no alto do ônibus, deixando-a visível e em destaque ali no alto. E todo mundo olhando de um jeito engraçado.

Uma dessas pessoas que olhavam de um jeito engraçado era uma menina com um belo vestido florido, eu queria entender de flores só para saber qual era aquela flor estampada no vestido dela, pela cor eu chutei que fosse violeta [só sei que a flor na minha mão era jasmim porque a minha mãe me falou].

Ela tinha um charmosíssimo sinal no queixo e era a menina mais linda que eu já vi dentro de um ônibus.

Sim, eu já vi meninas tão bonitas quanto ela, ou mais. Mas só pela televisão, no Orkut, ou passeando pelo shopping... Nunca dentro de um ônibus.

As meninas que aparecem na televisão usam maquiagem demais, no Orkut todo mundo só exibe suas melhores fotos [que às vezes são até editadas] e tal. Mas num ônibus lotado as pessoas são vistas na sua pior forma, estão suadas, mal-humoradas, espremidas e só pensam em sair logo dali.

Se dentro de um ônibus lotado ela conseguia ser tão linda, nem consigo imaginar como ela ficaria se fosse aparecer na televisão... De repente percebi que o jeito que ela me olhava não era nada simpático. Será que ela é alérgica a jasmim? Ou seria uma defensora dos animais e implicou com os detalhes em couro na minha bolsa?

Acho mais provável ela ter reparado que eu não parava de olhar pra ela e ficado com medo que fosse um psicopata.

Ah, o resultado da minha experiência: A jasmim sobreviveu, nenhuma pétala foi fraturada.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

[sim]

Para Clarice Lispector, tudo no mundo começou com um sim.
Para César Fernández, tudo no mundo termina com um não.

Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida.
Uma pessoa disse não a outra pessoa e morreu o amor.

Essa partícula negativa [não] tem o poder de levar qualquer frase ao extremo oposto de seu significado. Experimente tirar dos colchetes nesta última frase.

A maioria das pessoas deve estar acostumada a ouvir mais vezes o não do que o sim.
Daí eu concluo que um não pode pôr fim até mesmo nas coisas que nem começaram.

Eu não costumo ser muito persistente, basta ouvir a primeira frase com um não no meio para mudar os meus planos.
E meus planos vão mudar quantas vezes for preciso até que alguém me diga sim.

[/não]

domingo, 25 de janeiro de 2009

Angústia.

Qualquer um que leia esses textos deve ficar impressionado com a minha sinceridade e a forma como confesso sentimentos íntimos sem pudor. Por isso o meu blog de maior sucesso se chamava Confessionário. Mas, por incrível que pareça, há coisas que eu não posso contar aqui. Histórias que me atormentam demais e se eu as contasse estaria revelando todos os meus pontos fracos. Traumas e angústias que fazem de mim esse ser solitário, inseguro e carente, que escreve em um blog para seus amigos lerem. E no momento em que eu digitava essa última frase me surgiu mais uma dúvida: Lêem as coisas que eu escrevo porque são meus amigos, ou são meus amigos porque lêem as coisas que eu escrevo?

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Camisa Xadrez

Sabe aquelas cenas de filme, depois que o casal passa a noite junto, quando o homem acorda e vê que a mulher não está mais na cama, procura pela casa e a encontra na cozinha, tomando café, vestida com a camisa dele? Existem variações, às vezes é a mulher que o acorda, o que importa é ela estar vestindo a camisa dele. A camisa favorita dele.

Eu tenho uma camisa favorita, é claro, todo mundo tem. É xadrez, vermelha com preto, branco e azul. Só me lembro de ter usado essa camisa umas duas vezes, para ir a shows, ocasiões em que eu poderia dar a sorte de encontrar uma companhia. Desde que vi aquela camisa na vitrine da loja eu já comecei a imaginar como ela cairia bem no corpo de uma menina.

No meu quarto há uma manequim, eu a coloquei em cima da estante como objeto de decoração. Uma mulher de plástico com curvas perfeitas, cabeça e membros cortados. Eu não fico olhando para ela o tempo todo, não sou um maníaco sexual, mas às vezes visto alguma das minhas camisas nela, só para ver como cairia num corpo feminino.

Hoje eu vesti a manequim com a camisa xadrez. E senti exatamente a mesma coisa que sinto quando vejo aquelas cenas nos filmes. Vontade de chorar junto com vontade de sorrir, carência, inveja dos caras dos filmes e ao mesmo tempo uma esperança boba de que algum dia a minha camisa favorita vestirá o corpo de uma linda mulher.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Comédia Romântica

Uma coisa que aprendi assistindo comédias românticas é que eu posso encontrar a mulher da minha vida a qualquer momento, no lugar mais inusitado. Por isso costumo me arrumar caprichosamente toda vez que ponho os pés pra fora de casa, chego a passar perfume só para ir à padaria. A minha mãe sempre reclama por eu demorar demais no banho e diz que qualquer dia eu vou acabar me ferindo por escovar os dentes com tanta força. Eu preciso estar bem limpinho quando a mulher da minha vida resolver aparecer, não é?

Domingos são dias chatos, pelo menos para mim que não costumo ir à missa nem assistir o Domingão do Faustão. Eu e a minha mãe moramos sozinhos em uma casa grande e não saímos muito. Aos domingos sempre sofremos com o tédio. Aos sábados fazemos algo divertido e esquecemos de planejar o que fazer no maldito dia seguinte. O shopping fica lotado e todas as outras opções de comércio fecham nesse dia desagradável.

Recentemente, eu e a minha mãe descobrimos uma locadora de filmes perto de casa que não fecha aos domingos. Que achado! Toda manhã de domingo, quando percebemos que o resto do dia tende ao tédio absoluto, vamos à locadora e pegamos pelo menos três filmes. Sempre tem alguma comédia romântica no meio.

A locadora é pequena, mas tem uma boa variedade de filmes, bem selecionados. A mulher que parece ser a dona sempre faz ótimas indicações.

Eu sou bom com fisionomias, tenho facilidade para reconhecer os atores nos filmes, às vezes não sei o nome do ator, mas lembro logo de outros personagens que ele já tenha feito. Essa minha habilidade também me permite reconhecer facilmente qualquer pessoa, mesmo que eu só a tenha visto uma vez e muito tempo tenha se passado. Além de deduzir parentescos, por exemplo, eu vejo duas pessoas parecidas e deduzo que sejam irmãos, ou pai e filho se tiverem idades muito diferentes, quase sempre acerto.

Algumas das vezes que fui àquela locadora quem me atendeu foi outra pessoa. Uma menina aparentando algo entre dezoito e vinte anos de idade. Muito bonita, usa aparelho, o cabelo estava preso todas as vezes que eu a vi (isso me obriga a imaginar como ela ficaria sexy com os cabelos soltos). Ela tem uma tatuagem de flor na batata da perna (nem eu sei explicar como vi essa tatuagem, ela ficou sempre atrás do balcão). Provavelmente ela é a filha da dona.

Todos os parágrafos anteriores foram apenas para encher linguiça, agora é que vai começar a história que eu pretendia contar desde o início deste texto:

No último domingo era a moça da tatuagem que estava lá. A minha mãe, que fala pelos cotovelos, logo pediu uma indicação de filme. Eu fingi estar olhando os de uma prateleira, para me esquivar de alguma possível puxada de papo. Não é que eu não quisesse que ela me perguntasse de qual tipo de filme eu gosto, apenas não consigo evitar esse tipo de comportamento evasivo. Culpa da timidez. Enquanto isso, a atendente, timidamente perguntava qual o tipo de filme que nós gostávamos. É claro que a minha mãe respondeu: “Comédia romântica.”

Na hora de registrar a locação a minha mãe não lembrava do número de cadastro. A moça falou: “Ah, não se preocupe, eu já vi o seu filho aqui antes. Sei que vocês são clientes cadastrados.” Nesse momento, o que se passava na minha cabeça era: “Caramba, todos os dias dezenas de clientes passam por aqui. Ela só me viu umas duas vezes em semanas alternadas. O máximo que eu falei foi ‘oi’ e ‘obrigado’, o mesmo que todos os clientes devem falar. E ela lembra de mim... Ela lembra de mim!” Os filmes alugados naquele domingo ficaram para ser devolvidos na terça-feira.

Terça-feira eu tive que ir novamente à locadora para devolver os filmes. E, é claro, torcia para encontrá-la. Mas, não, era a mãe dela naquele dia. Aproveitei para pegar mais alguns filmes, desculpa para voltar na quinta-feira.

Quinta-feira. Acho que eu não cheguei numa boa hora... Estavam as duas. A mãe falava alto, parecia estar dando uma bronca. Eu não fiz questão de tentar entender o que estava acontecendo. O silêncio reinou assim que a minha presença foi percebida. Senti que estava interrompendo um momento de família. Foi um constrangimento a três. Eu tentei olhar rapidamente nos olhos da moça tatuada, mas a minha coragem só foi bastante para olhar durante meio segundo. Tempo suficiente para ela me dar um sorriso tímido e eu retribuir.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Boom! (fogos de artifício)

É, valeu a pena o esforço. Que não foi nenhum grande esforço... Descobri que estudar não dói (tanto assim). Vestibular é uma coisa meio chata, tem gente que passa, tem gente que merece passar e não passa. Então eu passo, raspo os cabelos e não posso comemorar com os meus amigos porque nenhum deles passou.

Em breve serei aluno da Universidade Federal de Pernambuco, vou ter uma conta no banco daquelas cheias de benefícios para universitários e vou estudar no Centro de AIDS e Contami- Opa! Eu quis dizer: Artes e Comunicação, o CAC.

Estou até animado com a idéia de que nos próximos quatro anos eu só vou estudar as matérias que mais gosto e nunca mais resolver questões de Física. Quero que as férias terminem logo, deve ser a primeira vez que sinto isso. Espero que a vontade de estudar dure o curso todo.

A única coisa que me desapontou foi o fato de haver muitos outros nomes de homens no listão dos aprovados, eu não contei, mas parecia ter mais homens do que mulheres. Todo mundo me dizia que Letras era um curso cheio de mulheres, eu já me via no meio de um harém. Imaginava que fosse ter só mais uns dois ou três outros homens na turma e que provavelmente seriam gays (ou seja, sem concorrência). Talvez isso tenha até me influenciado na escolha do curso.

Boom! Agora começa uma nova fase, vejamos como será. Continuará sendo espiral? Mais retilíneo ou irregular dessa vez?

domingo, 14 de dezembro de 2008

Sendo repetitivo.

Eu não gosto de ser repetitivo, por isso tenho o costume de, nos meus blogs, falar de uma menina diferente a cada postagem, mas esta já é a quarta postagem [não necessariamente quatro consecutivas] dedicada a uma mesma musa. Para identificá-la o que posso dizer é que ela tem dois sóis esverdeados no lugar dos olhos.

Atormenta-me a idéia de que eu possa tê-la desapontado. Logo a ela que sempre me enchia de elogios. Elogiava a minha voz, minhas palavras, meus textos e minhas leituras, até minhas roupas... Não houve uma vez que ela falasse comigo e não fizesse algum elogio. Eu chegava a alimentar uma expectativa ingênua de vir a ter chances de conquistá-la. Céus!

Ao que parece ela prefere a versão quieta e tímida de mim. Disse-me que aquela versão eufórica e desinibida não era eu. Ordenou-me que voltasse a ser eu. Bem, aquilo foi mais como um conselho. Mas se ela soubesse... Um conselho dela é uma ordem para mim.

Agora o que tira meu sono é o medo de tê-la chocado com meus atos ébrios, e com isso, arruinado a bela impressão que tinha de mim.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Já não é mais tão intocável, mas os olhares são ainda mais perturbadores.

Se ela soubesse o que seus olhos fazem comigo iria aproveitar-se disso e me encarar constantemente só por diversão. Ou talvez tivesse piedade de mim e nunca mais me olhasse, o que não seria tão melhor assim. Quando eu vejo aqueles sóis verdes nada mais importa, apenas o fato de que se eu posso ver seus olhos ela pode me ver. E se ela pode me ver eu me sinto indefeso. Com os olhos ela tira o meu fôlego e dita o ritmo do meu coração. Apesar de já não ser mais intocável – eu a abracei e beijei seu rosto já algumas vezes – ainda é um sonho inatingível... Seu olhar de Capitu me faz sentir tão – ... – impotente, entregue, com meu coração nas mãos dela, que eu nunca conseguirei dizê-la nada que não seja bobo. Pois bobo é como eu me sinto quando ela me encara com aqueles olhares perturbadores, é como ela me faz sentir.

sábado, 29 de novembro de 2008

Contratempo / Contra o tempo

Olha quanto tempo nós perdemos. Daqui a uma semana talvez nunca mais nos vejamos. E só agora que a gente começa a se falar e se dar tão bem. Eu sou devagar pra agir, mas pra me apaixonar sou rápido e precipitado mesmo. Pra eu perceber que você é perfeita e que a gente combina bastou uma conversa, mas pra tomar alguma iniciativa a respeito disso eu precisaria de algumas semanas a mais do que dispomos. Até porque, mesmo que eu conseguisse ter coragem, iria soar muito estranho uma declaração assim tão precipitada. Você ia me achar um desesperado. E não estaria errada, essa situação é desesperadora mesmo.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Intocável.

Desde... Sei lá quando.
Desde a primeira vez que vi aqueles olhos;
São como dois sóis verdes brilhando no meu céu.

Eu nunca a toquei. Pra mim ela é intocável, eu posso até conversar, mas não tocá-la. É tão perfeitinha que eu tenho medo de quebrar. E não há nada que eu possa falar para ela que não vá soar estúpido, ela me deixa [ainda mais] bobo. Tão bobo que até esqueço que moro perto e não preciso pegar ônibus pra voltar pra casa. Tão bobo que fico olhando de longe pra ela enquanto está sozinha lá do outro lado, pensando se devo ou não ir falar, de tanto pensar perco a chance. Ou acabo tomando coragem e indo, mas toda a coragem é consumida no caminho, é só chegar perto pra ficar frouxo. Que bobo! Eu penso em ótimas respostas pra tudo o que ela me pergunta, mas só depois de já ter dado alguma resposta imbecil; e penso em coisas lindas que nunca teria coragem de dizer pra ela.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Mal de canceriano

Desculpe-me pelas coisas bonitas que falei.
Foram coisas bonitas, logo, eu não devia estar pedindo desculpas.

Desculpe-me então por ter mentido para você quando fui sincero.
Mas se fui sincero como posso ter mentido?

Desculpe-me se te iludi dizendo que era para sempre.
Eu queria mesmo que fosse para sempre [QUERIA; verbo conjugado na 1ª pessoa do singular, pretérito imperfeito do indicativo], agora olho você e me pergunto “como é que eu estive apaixonado por isso?”. Mas a culpa também foi sua, afinal. Não me deu outra alternativa além de me livrar daqueles sentimentos. Se não fosse isso seria pior, sabe-se lá o que eu poderia estar lhe pedindo agora ao invés de desculpas. Talvez eu ainda vá fazer com muitas outras o mesmo que fiz com você, iludi-las com palavras sinceras que depois viram mentira. Mudando o ponto de vista, talvez muitas outras ainda vão fazer o mesmo que você fez comigo, me iludir com carinhos que me inspiram belas declarações e ficam apenas na lembrança.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Quebre as correntes (?)

“Lamba seu dedo e escreva na testa [com o dedo lambido] a primeira letra do nome de quem você ama. Mande para 15 pessoas em 15 minutos e receberá uma boa notícia em até 15 dias. Se você quebrar essa corrente terá azar por 15 anos.”
Eu sempre quebro as correntes. Talvez por isso tenha tanto azar. Mas essa me deixou encucado. Qual letra eu escreveria na testa?! Ó céus, até pouco tempo eu vivia constantemente apaixonado, só ‘desencanava’ de uma menina quando outra tomava o lugar, eu saberia imediatamente qual letra escrever na testa com o dedo lambido [mas a cada semana seria uma letra diferente]. Agora já não sei mais que letra seria. Não por haver mais de uma, mas por não haver nenhuma. Até um dia desses, se eu visse uma menina com um jeito de andar diferente, assim cheia de charme, andando pra frente com o olhar num ponto fixo, sem balançar nem um pouco o corpo, mas mesmo assim muito sensual, com os olhos meio fechados e a boca meio aberta demonstrando tranqüilidade... Eu me apaixonaria pela menina só de vê-la andando assim. E, estando apaixonado, tudo nela seria perfeito. Agora eu vejo isso e me apaixono, não pela menina, mas apenas pelo jeito de andar. Estou apaixonado pelo jeito de falar de uma e pela voz de outra, pelo sorriso de uma terceira e o olhar de uma quarta... Tenho me apaixonado por diversos detalhes assim, mas por nenhuma menina. Tenho enxergado defeitos. E pensando agora eu me desaponto comigo mesmo por ter me apaixonado por muitas das meninas que já me apaixonei;

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Olhares perturbadores

Já faz algum tempo que eu tenho flagrado [freqüentemente, aliás.] uma menina com uns olhares na minha direção. Olhares inexpressivos ou, quem sabe, expressivos demais. Olhares indecifráveis. Ainda mais para mim, tão desacostumado a ser olhado. Não consigo saber se ela me olha com admiração ou estranheza. Às vezes tenho a impressão que ela sorri, mas fica a dúvida; ‘Ela sorri para mim ou de mim? É um sorriso simpático ou uma gozação com a minha cara de bobo?’. Ó céus, que tormento. Eu a olho porque ela é linda, e não me importa que ela perceba, apenas não encaro. Caso nossos olhares se cruzem eu logo disfarço. Ela também.

Eu posso estar fantasiando tudo isso. Eu fantasio muita coisa. Principalmente nesses dias que estou sem óculos e vejo o que eu quiser ver.

Por que ela me olharia? Será que me acha atraente? [Poderia uma menina tão encantadora ter tanto mau-gosto?] Será que ela também se pergunta por que eu a olho? Teria alguma curiosidade sobre mim? Gostaria de me conhecer?

De fato, eu gostaria de conhecê-la, para ao menos entender o que significam seus jeitos de olhar. Enquanto não nos conhecemos eu continuo a admirá-la e me apaixono pelo seu olhar misterioso.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Carta aos meus contatos do MSN

44 contatos online numa tarde de quarta-feira. 14 que eu não lembro quem são e também não devem lembrar de mim. 2 meninas pelas quais eu já estive apaixonado. 8 pessoas com as quais eu gostaria muito de conversar. 6 pessoas que eu só vi pessoalmente uma vez. 15 pessoas que eu nunca vi pessoalmente e talvez nunca vá ver. 1 amigo de confiança.

Então eu mudo o meu status de ‘Aparecer offline’ para ‘Online’, os 44 contatos vêem a mensagem “César acabou de entrar.” e ninguém fala comigo...

Das 8 pessoas com as quais eu gostaria muito de conversar eu só tenho assunto para puxar conversa com duas delas, mas as duas estão com o status ‘Ocupado’ o que me faz achar melhor não conversar, por medo de interromper algo de importante que estejam fazendo. Dessas mesmas 8 pessoas, eu tenho falado ultimamente apenas com 3. Com as outras 5 eu nunca mais falei, simplesmente por falta de assunto ou medo de ser inconveniente.

Pessoas que a gente sai adicionando no MSN... Conversa uma vez só, ou duas, talvez passe meses conversando todos os dias, não importa, uma hora o assunto acaba. E é definitivo. Você vê o contato online todos os dias. Vê seus nicks, imagens de exibição e mensagens pessoais, mas não tem um assunto para puxar conversa. Ou pode até ter algum assunto, mas fica inseguro, “talvez esse assunto não seja bom o bastante, talvez aquela pessoa esteja fazendo algo mais interessante e não queira perder tempo conversando comigo”. E com o tempo, aquela pessoa que já era até íntima de tanto conversar pelo MSN, torna-se um completo desconhecido. Você não sabe mais o que ela anda fazendo, se continua gostando das mesmas coisas, se ainda lembra de você...

De repente pessoas da lista dos com os quais eu gostaria muito de conversar passam para a lista dos que eu não lembro quem são e também não devem lembrar de mim.